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terça-feira, 3 de abril de 2018

Certezas ...




Dentro os vários significados da palavra certeza no dicionário aurélio um chamou minha atenção, "ausência de dúvida". Cheguei em Belo Horizonte em 1992 vindo de Belém do Pará e, remista fanático, pude observar o comportamento de atleticanos e cruzeirenses de camarote. O que se via à época era que os cruzeirenses não duvidavam de nada, ao contrário, tinham certeza de tudo, inclusive de uma superioridade do cruzeiro frente ao Atlético. Antes do jogo, o habitual sentimento de "vamos regaçar o Galo". Depois do jogo, dependendo do resultado, sumiam ou se emplumavam e saíam para a rua. Daí, cheguei a uma conclusão em poucos meses: esses caras só apóiam nas boas. O resultado disso foi entregar meu coração ao Atlético. Tanto que naquele ano o melhor jogador da temporada para mim era o Negrini. E ai de quem discordasse. Era a minha certeza ...
Pois bem, durante 20 anos convivi com a arrogância rival numa boa. O Galo para mim era pra vencer as partidas e ganhar título, óbvio, mas a certeza que eu tinha que eu subiria para o Mineirão pela Antônio Carlos e entraria no portão 9 me bastavam. Em 2012 chega um Bruxo em Belo Horizonte e o resto da história é conhecida por todos. Porém, um dos ônus do período de três anos ganhando tudo ecoou no mundo alvinegro. Do Presidente à torcida. A "Certeza" que era azul estava preto e branca.
O Hashtaguismo se instalou e nos anos seguintes "nossas certezas" nos fizeram demitir técnicos aos montes. 2018 parecia/parece que iria/vai pelo mesmo caminho. " Cazares não dá mais", "Some do meu Galo, Patric", "Léo Silva é lento", "Se não contratar vamos cair no Brasileirão". Essas e outras frases foram ditas em fevereiro. FE-VE-REI-RO. E no dia 10 daquele mês, por sorte, por causa do Gomide, não importa, o cavalo passou arreado na porta de Thiago Larghi. Menos de dois meses depois as certezas de antes não existem mais. Não precisamos aqui debulhar os números do footstats. Basta olhar para o campo. Um time que não apresentava nada nas mãos do Oswaldo, passou a jogar de acordo com o momento da tabela, característica dos adversários e, aos poucos, foi tomando corpo e está prestes a conquistar o campeonato mineiro. Podemos discutir se o Oswaldo teve tempo. Mas não é o momento.
Agora, cabe ressaltar o que esse rapaz fez em menos de 60 dias. E para isso, olhem para o campo. A evolução de Patric, Adilson e Cazares são exemplos cristalinos. Cadê a lentidão do Léo Silva? Muitos ainda lembram que o mineiro não é parâmetro, ao que eu sempre respondo: qual estadual é parâmetro? O que o campo mostra é parâmetro. E o que Thiago Larghi fez em 60 dias com este grupo é credencial suficiente para que ele fique, no mínimo, até o final do Brasileirão. Reforços devem e precisam chegar. E justamente por isso, Larghi deve ser efetivado como nosso treinador. Tenho certeza que o trabalho renderá frutos a médio e longo prazo.
Quer dizer que tenho certeza do título no domingo ou qualquer outro título no ano? Não, claro que não. O futebol é o esporte onde o imponderável mais atua. Em 2005, meu coração doeu tanto que eu achei que tinha certeza que ele iria parar. Certeza mentirosa, pois em menos de 30 segundos eu cantava o hino do Galo chorando e percebi que a única certeza que eu tenho é que serei Atleticano para sempre.

@pauloazulay


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Aqui é Pratto, ops, Aqui é Galo




Aqui é Pratto, ops, Aqui é Galo

Vou tentar resumir o que penso sobre a saída do Pratto. Começo pela parte menos chata, mas ainda assim chata. Desde 2015 que temos uma nova tradição na torcida do Galo (não estou generalizando, mas são muitos): começar o ano criticando ferozmente o Daniel Nepomuceno.

Em 2015, mesmo com o time conseguindo uma taça nacional em cima do rival, várias foram as cornetadas sobre a falta de contratações para a disputa da Libertadores daquele ano. Era ainda um resquício da frustração da saída do Bruxo misturado a uma certa desconfiança com a chegada de um certo atacante argentino que, mesmo sendo escolhido o melhor jogador do certame nacional, o tinha feito num campeonato de baixo nível técnico.

Em 2016, a soma falta de títulos no ano anterior (Galo foi vice campeão brasileiro. Para muitos não é nada) mais uma série de contratações da equipe da enseada das garças fez com que nosso presidente fosse achincalhado dentro e fora das redes sociais. E olha que o tempo mostrou que os craques Federico "Kiko" Gino, "Sanchez Mínimo", "Pisano em ovos", "Bruno Ronaldo Nazário", "Douglas Coutinho do Liverpool" e "Rafael Nadal Silva", este último confundido com o tenista, foram realmente contratações muito melhores que a do ex-jogador em atividade Robinho que veio para o Galo. Não vou nem citar as contratações de Otero, Fábio Santos, Cazares. A disputa é inglória para o nosso lado.

Pois bem, em 2017, o filme se repetiu e, influenciados por contratações que ainda não viraram reforços no rival, Nepomuceno e Maluf, seu "incompetente" Diretor de Futebol, novamente tiveram que lidar com a desconfiança, vamos classificar assim, da torcida do Clube Atlético Mineiro. Aquela que, fora da rede social, tem em todos os seus integrantes, pessoas conscientes, tolerantes e que apoiam sempre sendo sócio torcedor e indo ao campo. Os incompetentes dirigentes trouxeram Elias, Felipe Santana (já execrado como o pior zagueiro do mundo ao lado do Erazo), Danilo Barcelos e o maior dos reforços: mantiveram o elenco de jogadores, treinados, neste momento, pelo técnico que era cobiçado por muitos gigantes do futebol nacional.

Aí você pensa. Bom, agora é dar tempo ao Róger, apoiar e torcer para que o trabalho evolua. Certo? Certo! Mas não foi assim que funcionou. Bastou uma derrota "vexatória" na Primeira Ninguém Liga que deu o título "vencedor de clássicos" ao rival para a terra tremer novamente. Citar o rival e "tremer" pode ou não ter sido mera coincidência. Mas o que importa é que perdemos nossa hegemonia na "Taça dos Clássicos". E isso tirou o sono de muito atleticano, com "a" minúsculo mesmo.

Chego na parte mais chata do texto. Um acontecimento/especulação nessa semana tirou novamente a paz na Megalópole do Galo. Pratto ia/vai/foi para o São Paulo. A frase está certa mesmo. Sem qualquer pronunciamento do clube, "especialistas em Finanças", "experientes Diretores de Futebol", "Grandes Presidentes de clubes", "Renomados juristas", que formam a modalidade de sócio do Atlético denominada "Dedo na Veia", invadiram as redes sociais e passaram a julgar novamente, ainda que em cima de especulações e informações desencontradas, nosso presidente e nosso diretor de futebol.

Grande parte dessa turma que nunca vendeu um picolé na vida, que nunca fez e cumpriu um planejamento financeiro,  que nunca jogou num campo gramado etc, viram, quando se trata do Galo, experts em tudo.

Não estou aqui para convencer ninguém. Muito menos para discutir o que é Raiz e Nutella. Estou aqui apenas e tão somente para lembrá-los de uma coisa: Aqui é Galo. Lembram? Clube Atlético Mineiro. Aquele time ali de Lourdes. Aquele que já teve a torcida mais elogiada e mais temida do Brasil. Não acreditam? Façam pesquisas nas redes sociais, em sites de canais de tv, sites de rádios. Vocês lerão, assistirão e ouvirão depoimentos de jogadores e dirigentes como Casagrande, Paulo Roberto Costa, Thiago Neves, Robinho, Ronaldinho Gaúcho, César Masci. Até um amigo meu chamado Gilvan outro dia disse "Em Minas Gerais todo mundo é Atleticano", assim como um treinador outro dia disse: "Conheço a aldeia. Aqui sempre vem um vestir a camisa do outro lado". Isso é reconhecimento, amigos. Só tá faltando o reconhecimento voltar de grande parte daquela gente que invadia a pampulha e soltava, do fundo da alma, aquele grito de "Gaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalllllllooooooooooooooooo".



Por @pauloAzulaybh

terça-feira, 26 de abril de 2016

Espírito Alvinegro


Tolerância é um termo que vem do latim "tolerare" que significa "suportar", "aceitar". Fundamental para quem vive em sociedade, a tolerância é uma atitude. Uma pessoa tolerante normalmente aceita diferentes opiniões ou comportamentos diferentes daqueles estabelecidos pelo seu meio social.  Ano passado me assustou muito o tratamento intolerante que o técnico Levir Culpi mereceu de grande parte da torcida do Galo. Pois entramos 2016, estamos nas oitavas da Libertadores e na final do estadual, único time brasileiro a conseguir tal feito, ressalte-se, e estou, ainda, assim, preocupado com o comportamento de parte da torcida alvinegra.

Penso que a combinação títulos + público com poder aquisitivo maior + redes sociais trouxeram à tona um Atleticano que não estávamos acostumados a ver.  Não se trata aqui de querer definir se estão certos ou errados. Porém, nosso ponto de partida quando falávamos que alguém torcia para o Galo era aquele camarada ou aquela menina que passava por cima de tudo, ônibus lotados, violência nos estádios, pouco conforto na arquibancada e geral do mineirão, mas sempre estava lá no saudoso portão 9 pulando e gritando no aquecimento da saudosa galoucura. Ah, uma ressalva. Quase sempre não dava para ir no Portão 7A e, quando a grana era mais curta ainda, a geral era o paraíso. Tudo isso para poder sentir aquele frio na barriga quando escutávamos o velho Abras na Itatiaia dizer: "Lá vem o Galo". Tal frase e a cena daqueles heróis (independente de quem fossem, eram heróis) entrando em campo nos transportavam para um mundo que só quem ama o Atlético sente nesse momento o que estou escrevendo.  

Pois bem, intolerante. Estou  sendo com quem nesse momento critica o técnico Aguirre? Ao pensar sobre isso concluí que não é esta resposta que preciso buscar. Por isso, olho para dentro e não para o outro, e busco saber onde está aquela torcida do Atlético. Cansei de escutar entrevistas de jogadores adversários elogiando gratuitamente a massa alvinegra. Não consigo achar a resposta para a indagação que fiz a mim mesmo. Certa vez, num fórum de educação promovido pelo Sesc Augusto Cury disse que devemos “doar e não querer em troca do mesmo tamanho, aquilo que doou” e que “não devemos exigir do outro, aquilo que ele não pode dar” e Roberto Patrus, no mesmo evento reforçou, “o importante para o self é não se prejudicar; não prejudicar o outro e não se deixar prejudicar pelo outro (em hipótese nenhuma)”. Como disse, não escrevo agora para acusar alguns, mas sim para tentar, dentro de minhas possibilidades, promover esta reflexão. Não prejudiquemos o Atlético. Seria muito bom podermos todos nos reunir e, neste encontro para filosofarmos, tentarmos juntos achar o caminho de volta daquela massa espetacular que fazia as estruturas do estádio Magalhães Pinto balançarem. Como não podemos, por várias razões, estarmos juntos, resolvi fazer este convite. Olhe para dentro e busque o Atleticano de Raiz que todos nós somos.

Faço uma proposição. Não existem cornetas, apenas aprendizes ou aspirantes a Torcedor de Raiz. Assim, Atleticano de Raiz, lhe digo o que é muito importante: as pessoas em crescimento (ou inseguras) precisam de inspirações de outros, precisam de direção de outros, pois quando amadurecemos, confiamos em nossos corações, onde as leis universais estão escritas. Portanto, a resposta que busquei está dentro de você, de mim, de todos nós. Tudo que precisamos é ver, prestar atenção, e confiar!
 
Assim confio minha intuição e crença em você Atleticano de Raiz que me lê neste momento. Devemos impor limites (não chamar o técnico de burro quando estamos vencendo um jogo, por exemplo), respeitar limites, sendo exemplos (ao ver o amigo alvinegro chamando o técnico de burro, gritar Galo, cantar o hino ...) e superar limites, mesmo com nossas limitações. Quero continuar acreditando que a alguém só consegue me manipular se eu permitir. Nosso subconsciente determina quais energias, experiências e quais pessoas que atraímos. Assim, o único jeito certo de saber o que queremos é ver o que temos. Queremos a Libertadores e temos o espírito Alvinegro dentro de nós.

Por @pauloazulaybh

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016



Carta para Robinho.

Caro Robinho,

Me chamo Paulo Azulay e nasci Atleticano lá em Belém do Pará no ano de 1980. É isso mesmo. Na época do maior assalto da história do Brasil. Enfim, resolvi te escrever estas mal traçadas linhas para te dar boas vindas ao Galo. Mas para isso preciso te contar umas coisas. Moro hoje em Teófilo Otoni no nordeste de Minas. Todo final de semana vou para uma cidade chamada Pavão e, no caminho, num povoado chamado Limeira que tem 1000 habitantes aproximadamente existe um bar daqueles característicos desses rincões que só as Minas Gerais tem. 
Então, nesse Buteco copo sujo, como chamamos por aqui, tem um símbolo do Galo pintado em uma de suas paredes. A parada do ônibus é em frente dele e, acredite você, seu nome estava na boca de alguns homens que estavam lá na rápida parada que fizemos. A maioria feliz e vibrando com sua chegada no alvinegro das alterosas e uma pequena parte com uma dor de Cotovelo. A proporção era a já costumeira, 4 para 1. Então, pensei e me questionei: será que o Robinho imagina que neste lugar que parece (só parece) esquecido por Deus tem gente eufórica por sua chegada?
Cara, eu te falo. Fui um dos que quis matar o Kalil por ter trazido o Ronaldinho. Sou sincero e admito que não o queria, mas confesso que estava entre os milhões que choraram com ele quando ele disse na época da doença de sua mãe: "esses caras me abraçaram e eu vou com eles até a morte". É isso, Robson (colocar nome completo). Quem honra a camisa que enverga varal e não cai nem na mais forte tempestade, vira ídolo eterno da torcida que mais alenta nesse país. Contra o vento, Riascos, CBF e seus classificadaços. Nós torcemos contra tudo e todos. A favor? só do Galo e de quem honra nossa segunda pele. 
Quer um conselho? Chegando na cidade do Galo pergunte ao Victor  o que é ser elevado ao status de Santo. Troca uma ideia com o Léo Silva e saiba porque ele fez a melhor escolha da vida. Chega no Dátolo e procura entender porque ele beija o escudo toda vez que faz gol e diz sentir como se estivesse beijando sua mãe ou abraçando seu pai. Sabe o Luan? Cê vai ficar de cara quando ele te explicar porque corre igual a um louco em TODO jogo e chorou lá em Tijuana. Resenha com seu parceiro Tardelli e você entenderá porque o cara acorda de madrugada na China pra assistir os jogos do Galo. Do R10 eu já te dei a dica. Aí, quando você estiver habituado em BH, numa folga faz aquele churrasco e convida O Rei, o Dadá, o Cerezo e o Marques. Velho, você entenderá porque vai querer "comer grama". 
Bem vindo pedalada. Milhoes estão sorrindo nesse momento, inclusive aquele carinha lá da Limeira que já-já estará com uma camisa com seu nome. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Olhar espiritualizado


Agora que o título foi definido e não ficou em Lourdes, decidi escrever sobre a campanha do Atlético no Brasileirão 2015. Mas ao começar questionei-me: qual o Atleticano Paulo Azulay que vai escrever? O que olha o Galo com o coração (emocional) ou o que olha com a razão (racional)? Então vivi o seguinte “diálogo” entre os dois:
- Cara, Levir tem que sumir do Galo. Ele é teimoso, burro com sorte e acabou com o Atlético – Disse o Emocional.
- Velho, calma. Levir ajudou ao Nepomuceno a equacionar a folha salarial e, por isso, pagamos em dia salários, direitos de imagens e premiações que vinham atrasadas desde a era do turco – Ponderou o Racional.
- Ah, então agora o que vale é salário em dia e nada de título? Porque mineiro não é título. Nosso preparo físico é ridículo. Eu odeio esse Levir!!!
- Não, sô. Precisamos ter paciência. O nosso amado Galo vem de quatro boas temporadas. Ganhamos Libertadores, Copa do Brasil, Recopa, Estaduais e estamos indo para a quarta Libertadores seguida, sendo em dois vices do Brasileirão. Uma hora esse tal de Brasileirão vem, inclusive.
- Rapaz, deixa eu te falar uma coisa. Sou do tempo que o Galo não aceitava este tipo de técnico e este tipo de jogadores como os que aí estão. O Galo é raça. Sempre foi para cima dos adversários e a massa empurrando. Esses caras tão de sacanagem. Nós temos uma das piores defesas do campeonato. Me ajuda aí ...
- Bicho, eu te entendo. Mas nessa época que você citou aí, a gente passava maus bocados com elencos pífios e poucas taças. Hoje lutamos em igualdade com o eixo. No entanto, é preciso reconhecer também a superioridade do adversário. Foram melhores do que nós e mereceram o título.
Então, eis que surge um terceiro Paulo Azulay que, inspirado por Clarice Lispector, diz:
- “Eu escrevo sem esperança de que o que escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou do outro.” Sou uma mistura de vocês dois. Sou o olhar emocional e o olhar racional e sugiro que nós três possamos ter um olhar espiritualizado para o Atlético. Olhemos nosso time criticamente. Precisamos sempre cobrar de Presidente, Diretoria, Comissão Técnica e Jogadores. É salutar tal cobrança, mas não deixemos de lado a compreensão, reconhecimento e, sobretudo, o amor pelo clube.
Dito isto, encerro. Qual o Levir que fica? O Levir que chegou a ser pedido na seleção? O motivado, o de grupo, o paizão, o que sabe posicionar time, o que fez o atlético ter toque de bola ou este que, numa última imagem, sugere desânimo e apatia? Quais jogadores teremos? Os comprometidos como os dos últimos quatro anos ou os que aparentam desmotivação neste final de 2015? Ciclos estão se encerrando? Leonardo Silva poderá ser nosso zagueiro e capitão ano que vem? Rocha voltará a jogar bola? Quem será o camisa dez? Quem chegará para assumir o protagonismo como fez o Bruxo?
Meu coração espiritualizado torce para que os caminhos do Galo em 2016 possam ser de glórias e títulos.

Por @pauloazulaybh


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Roda Viva


Caríssimo leitor,
Um dia após a vergonhosa atuação do árbitro no jogo entre Galo e Atlético Paranaense eu escutava uma música do Chico Buarque, que venceu o III Festival de Música Brasileira da TV Record , em 1967: Roda Viva. Uma parte da letra é assim:
“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu; a gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa; no nosso destino mandar; mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião, o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente até não poder resistir; na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir...
Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há; mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira prá lá...
O samba, a viola, a roseira que um dia a fogueira queimou; foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar; mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião, o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração...”
Então, parei e pensei: após a eliminação do Galo para o Inter na Libertadores desse ano, me enchi de uma esperança gigantesca no título do Brasileiro quarenta e quatro anos depois. “Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há; mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira prá lá...”. Depois de um início muito bom, a esperança aumentou e muito. Liderávamos e jogávamos muito bem, “mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá ...”. Por roda viva, entendam como o coração de vocês sentir. Árbitros?, CBF?, STJD?, Rede Globo?, queda no rendimento de alguns jogadores? Cada um dará sua sentença.
Aqui, darei a minha. Os erros contra o Atlético acontecem numa proporção muito maior do que os erros contra o Corinthians. Ruindade ou atuações tendenciosas? No país de mensalões, trensalões, lava jato, temos, no mínimo, o direito de desconfiar. Lembrem que os dois ex-presidentes da CBF são Ricardo Teixeira (fugiu para os EUA) e José Maria Marin (preso na Suíça) e o atual, Marco Polo del Nero, não sai do país por medo de ser preso pelo FBI. Saudade do tempo em que eu, pelo menos, acreditava que as coisas se decidiam dentro do gramado. “No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar; mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade prá lá ...”

Gritamos “vergonha” e “Corinthians” no horto. Protestamos como sempre porque “A gente quer ter voz ativa; no nosso destino mandar; mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá ...”. Acordei com a sensação de que só mudaremos essa realidade do futebol brasileiro se um fato novo acontecer. A seleção ficar fora de uma copa, os torcedores abandonarem, em nível industrial, a ida aos estádios, sei lá ... 
“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu” ...




segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Os dez dias mais importantes dos últimos quatro anos ...



Os dez dias mais importantes dos últimos quatro anos ...
Pessoal, pensei em vários temas para a minha estréia no Blog dos Atleticanos. Muita coisa veio na cabeça e acabei decidindo por este que virá a seguir. Os dez dias mais importantes dos últimos quatro anos, sob minha ótica. Espero que vocês gostem.

1.       Contratação de Ronaldinho Gaúcho, 04 de junho de 2012
Dia histórico nesses quatro anos. Nosso Presidente não anunciou a contratação de Ronaldinho Gaúcho. Lembro de meu irmão ligando insistentemente. Parei uma reunião de trabalho e do outro lado ele dizia: “O Galo contratou o Ronaldinho Gaúcho”. Ao que respondi, “o Kalil não fez essa m ...”. Sim, amigos. Eu fui totalmente contra a contratação do Bruxo. Assiti à época um vídeo do Juca Kfouri que falava que o Kalil tinha enlouquecido ao contratar o R10. Vídeo com que, mesmo sem saber, inocentemente concordei. A imprensa de todo o Brasil tratou de condenar a contratação do astro. Nada mais normal, uma vez que o gênio tinha rompido com o “mais querido”.  E as piadas nas redes sociais. “A Cidade do Galo, mudará de nome para "Cidade do Gole", entre outras. Bom, o resto todos já sabem.
2.       Contratação do Victor, 29 de junho de 2012
Quem lembra da tuitada do nosso Presidente Alexandre Kalil no dia 29/06/2012 às 16h26? “Torcida mais chata do Brasil, se o problema era goleiro não é mais. Victor é do #Galo!”. Além de trazer o Santo para o Galo, nosso Presidente conseguiu pagar parte do valor com o Werley. Precisa dizer que esse dia foi importante?
3.       Gol de Réver , 02 de dezembro de 2012
O galo precisava  vencer a disputa contra o Cruzeiro e torcer por um empate no Grenal para poder se classificar direto para a fase de grupos da Libertadores 2013. A vitória veio num 3 a 2 dramático, no Independência, e com os jogadores aguardando o final do clássico gaúcho. Ali começava a certeza de que tínhamos jogadores torcedores no elenco.
4.       Volta do Tardelli, 02 de fevereiro de 2013
O retorno do atacante Diego Tardelli foi confirmado depois de muita especulação. Kalil, bem ao seu estilo mandou um “ele é burro, fica fazendo gol lá”.  A “novela” durou uns dois meses, até que numa noite de sábado o Dom Diego posta a famosa foto com o “Twitta, Kalil” e o Presida não deixou por menos: "Minha parte está pronta. Torcida chata tá tá tá tá tá tá tá. É nosso de novo! Agora tô de férias". Era a “cereja do bolo” que faltava ...
5.       Penalti Tijuana, 31 de maio de 2013
Qualquer coisa que eu fale a respeito desse lance será insuficiente. Então, resumo dizendo que eu estava no Horto e já havia destroçado minha máscara do pânico. Desolado vi o Cuca olhando para baixo e pensei que a história havia acabado ali. Não acabou. Vi o milagre que canonizou o São Victor e meses depois tatuei o lance nas costas.
6.       Atlético, Campeão da Libertadores, 24 e 25 de julho de 2013
A América nunca viu um título ser conquistado com tanto merecimento. Tudo que aconteceu no mineirão virou até filme. E que filme. No entanto, o que aconteceu naquele dia foi resultado de uma sequência de acertos da diretoria, da comissão técnica, dos jogadores e da Massa. A cabeçada do Léo Silva entrou, o atacante paraguaio escorregou e o chute do Giménez foi na trave porque antes o R10 correu e gritou no Morumbi para o Brasil inteiro escutar “Aqui é Galo, P@#$%”, porque o Victor defendeu penaltis contra o Newells e contra o Tijuana, porque vencemos (e somos os únicos) na altitude de La Paz, porque metemos 10 no Arsenal e humilhamos o São Paulo. A América nunca mais verá um título como o nosso.
7.       Corinthians, 15 de outubro de 2014
Mesmo depois de conquistarmos a Libertadores do jeito que conquistamos, muita gente ainda duvidava da grandeza do Galo. Então, mostramos para esses que não se pode duvidar jamais da força do Atlético.  Mineirão lotado. Empurrado pela Massa. Num jogo histórico, fomos mais uma vez, fortes e vingadores. Exorcizamos o Corinthians e devolvemos a dancinha ao Mano Menezes.
8.       Flamengo, 06 de Novembro de 2014
O mantra “Eu Acredito” é poderoso. Deus nos reservou o mesmo desafio e a mesma salvação. Perder fora por 2 à 0, tomar um gol e ter que fazer quatro. Deu contra o Corinthians. Daria contra o Flamengo? Eu acreditei, nós acreditamos.  Inacreditável? Não para quem torce contra o vento. Em mais uma virada espetacular, acreditamos até o fim, vencemos o “queridaço, classificadaço”.
9.       Cruzeiro, 26 de novembro de 2014
Falar o que, né? Freguês a gente trata com muio cuidado. Ainda mais quando ele é VIP. Por isso, com toda superioridade possível, metemos 3 à 0 no agregado e enlouquecemos a massa com show do time no gramado do Salão de Festas e show dos 1800 eternos que calaram 30000.
10.   ????????????
Contratação do Pratto? Poderia ser. Porém, este décimo dia ficará reservado para preenchermos quem sabe este ano ainda.

Agradecimento especial aos amigos Thiago Fernandes e Ana Carolina, autores do banner da coluna.
Por, @pauloazulaybh